quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pra todo tipo de xarope, rir é o melhor remédio

São Paulo. Diria que São Paulo deixou de ser a terra da garoa para se tornar a terra das filas. Aqui tem fila pra tudo: pra comprar pão ou um café espresso, pra subir no ônibus, pra estacionar o carro, pra comprar remédio... Não é nem mais um mar de filas, é um tsunami de gente xarope esperando pra conseguir alguma coisa. E haja paciência.

Numa dessas, no caixa do supermercado, uma mulher Xis com uma menina de uns 5 anos passou na frente de mulher Ípsilon, que estava na minha frente. Detalhe: Xis passou sem pedir “licença, posso passar na frente porque estou com uma criança e apenas um produto pra pagar?”. Ípsilon, que estava com um carrinho cheio, começou a reclamar sozinha. Xis, que nessa hora já estava pagando sua conta, comentou com a filha em tom de voz alto e provocativo pra todo mundo ouvir: “Que gente infeliz, né, filha? Vamos dar risada bem alta pra essa infelicidade não contagiar. Povo infeliz!” Mãe e filha então forçaram uns rá rá rás intragáveis em direção à Ípsilon – que nesse momento já estava igual a uma panela de pressão.

Se em São Paulo rir na cara de desconhecidos pode se tornar um risco de morte, na Inglaterra dar boas gargalhadas pode funcionar como analgésico. Pesquisadores da universidade de Oxford colocaram uma sacola de gelo sobre o braço de voluntários para saber quanto tempo eles aguentariam a dor. O grupo de voluntários que assistiu a uma comédia de 15 minutos aguentou mais tempo o gelo sobre a pele do que o grupo que viu um documentário chatíssimo (também de 15 minutos) sobre a vida dos golfinhos.

P.S. A história do supermercado termina sem grandes incidentes, palavrões sujos, brigas com unhadas ou puxões de cabelo. Xis e Ípsilon pagaram suas contas e foram embora. Só me fica a pergunta: que tipo de adulto será a filha de Xis?

2 comentários:

ana carolina sandoli disse...

ahahaha ADOREI :))

Fanzine Episódio Cultural disse...

O PRIMEIRO CONTATO
Certa vez, na ânsia de concluir um trabalho escolar, cercado de publicações dos mais variados autores e temas, e sem saber por onde começar despertei-me com um clique da minha esferográfica.
Eis que, como um “Deja Vu”, deparei-me com um antigo livro de contos em péssimas condições. O papel amarelado pelo tempo, perfurado por traças, empoeirado e suas páginas mal cheirosas.

A tinta usada em sua impressão ainda mantinha um bom contraste, o que o tornava legível.

Então, no volver furtivo e detalhado de cada página, eu descobri algo novo: textos envolventes com assuntos, embora de séculos atrás, tão atuais e familiares que passavam não só a mim, mas a quem quer que os lesse (leiam) uma profunda intimidade com o autor.

Agora eu já podia empunhar aquela, cujo clique não mais soava irritante, mas frugal.

Tudo era simples, evidente e claro. Eu não precisava mais daquela pilha de publicações, pois tudo estava ali, em cada cor, som, ou lembrança. Daquela ponta esferográfica, as palavras fluíram com naturalidade e deitavam em cada pauta com a suavidade de uma pétala que pousava sobre a relva.

Eu compunha com mais idéias, indeterminado, mais livre. Não havia motivo para se preocupar com “Lapsus Linguae”... Sim era minha primeira crônica. Agora eu sabia que poderia escrever sobre qualquer coisa.

*Cassius Barra Mansa é cronista machadense

Lapus Linguae = erros de linguagem